A presidente eleita, Dilma Rousseff, anunciou oficialmente mais três nomes para integrar o ministério do futuro governo:
Casa Civil: Antônio Palocci
Secretaria Geral da Presidência: Gilberto Carvalho
Ministério da Justiça: José Eduardo Cardozo
Juntam-se aos nomes da equipe econômica, já anunciados na semana passada:
Ministério da Fazenda: Guido Mantega (continua)
Ministério do Planejamento: Miriam Belchior (engenheira e coordenadora do PAC)
Banco Central: Alexandre Tombini (atual Diretor de Normas do BC)
Dilma confirmou os nomes com a seguinte nota oficial:
A presidenta eleita da República, Dilma Rousseff,
convidou o deputado Antônio Palocci para ocupar a chefia da Casa Civil
do futuro governo e o atual chefe de Gabinete da Presidência, Gilberto
Carvalho, para ser o titular da Secretaria Geral da Presidência. O
deputado José Eduardo Cardozo, também convidado, assumirá o Ministério
da Justiça.
A presidenta eleita orientou os futuros ministros a trabalhar de forma integrada com os demais setores do governo para dar cumprimento a seu programa de desenvolvimento com distribuição de renda e garantia da estabilidade econômica.
Dos seis ministros oficialmente anunciados, cinco são do PT, e já trabalharam bastante próximos à ela.
Pelo desenho do Ministério até aqui, Dilma procura montá-lo como peças
para o governo andar como um motor bem engrenado desde o primeiro dia,
às vezes recorrendo ao pragmatismo, como fez o Presidente Lula ao
indicar ministros como o empresário Luiz Fernando Furlan, para o
Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, em seu primeiro
governo. Lula precisava no Ministério alguém que fizesse aumentar as
exportações, e não um amigo do peito.
Guido Mantega é uma escolha natural porque é economista da ala
desenvolvimentista do PT, e alinhado com Dilma. Tem afinidades naturais,
pois compartilharam as políticas anti-cíclicas durante a crise,
planejaram as medidas econômicas no âmbito do PAC. É natural que Dilma
não queira nenhuma descontinuidade brusca na economia, e Mantega é
praticamente certeza de fazer a política econômica que Dilma vai querer
fazer.
A escolha de um quadro técnico da diretoria do Banco Central, também
passa a mensagem de compromisso com a estabilidade da moeda e inflação
baixa. Mas a escolha tem um quê de habilidade politica, ao não manter um
nome consagrado no mercado como Meirelles, pois dá mais conforto para
poder trocar um técnico, se for preciso, sem provocar alarmismo nos
mercados.
Gilberto Carvalho também é uma escolha natural. Conhecedor das rotinas
do Planalto, dos contatos, é um "resolvedor de problemas" para o
Presidente e será para a Presidenta.
Miriam Belchior já trabalhou com Dilma na Casa Civil, e também é natural
continuar como coordenadora do PAC e Minha Casa, Minha Vida. Estes
programas passaram para o Ministério do Planejamento, saindo da Casa
Civil.
Palocci, na Casa Civil, mostra que Dilma dará uma feição um pouco mais
de articulação política ao Ministério. Possivelmente há o interesse na
habilidade de Palocci em acalmar reacionários, na boa articulação dele
com todos os setores, inclusive os mais conservadores da sociedade, além
de bom diálogo com oposicionistas no Congresso e entre governadores de
oposição, para conseguir formar maiorias em torno de assuntos onde até a
base governista é dividida. Muitos gostariam de um ministério "clone"
da Dilma. Mas para que serveria um ministro da Casa Civil se não
complementasse as diferenças da Presidenta eleita? Dilma chega à
presidência com os mesmo compromissos, mas com um perfil pessoal
diferente de Lula. Ela já foi ministra da Casa Civil e tem ampla
experiência em coordenar outros ministérios. É mais útil na Casa Civil,
alguém como Palocci, com capacidade de desempenhar funções onde ela não
tem quem faça bem. Essa parece ter sido a lógica de sua escolha.
José Eduardo Cardozo já era cotado para a Justiça desde a saída de Tarso
Genro. É da mesma ala de Tarso dentro do PT. Foi um dos três principais
coordenadores de Dilma durante a campanha eleitoral, por isso seu nome
já era esperado.
Há muita especulação de nomes para outros ministérios. Alguns tem muita
lógica, e deverão ser confirmados, outros não. O governador Sérgio
Cabral (PMDB/RJ) se antecipou, ao anunciar seu Secretário de Saúde para o
Ministério, antes de resolver com seu partido. Queimou a língua e,
talvez, tenha chamuscado seu próprio secretário. É melhor ter calma e
conter a ansiedade.
Amigos do presidente