Globo não consegue dar o golpe do “documento exclusivo”
A Petrobrás teve sorte. Como o leitor já sabe pelo
post de ontem,
o Globo teve acesso a documentos confidenciais da Petrobrás sobre a
refinaria de Pasadena. O máximo que encontraram foi um saque de US$ 10
milhões de uma corretora ligada à refinaria. A Petrobrás
já explicou o saque, em seu blog, que começa a apresentar tímidos sinais de vida. O saque foi normal.
Ao mesmo tempo, a matéria de ontem do Globo, cujo objetivo era apenas
detonar a Petrobrás, dá uma informação, no meio da matéria, sem
destaque, que é a grande novidade para nós, brasileiros: o faturamento
da refinaria apenas em 8 meses de 2010, janeiro a agosto, foi de US$ 2,2
bilhões, ou seja, quase ou mais que R$ 5 bilhões!

Esses números nos permitem ter uma visão completamente diferente de
Pasadena. No início, quando estourou o escândalo, não sabíamos de nada. A
imprensa dizia que era uma sucata. Nas redes, se dizia que estava
paralisada há anos. É incrível o show de desinformação que a Petrobrás
deixou rolar. Com o tempo, fomos descobrindo que a refinaria estava
operante. Depois chegou a informação que ela dava lucro. E agora sabemos
que o faturamento dela pode ser superior a R$ 10 bilhões.
E estamos descobrindo tudo isso por conta de investigações
particulares na internet e, agora, através de um vazamento clandestino
para o Globo! É inacreditável que a Petrobrás não tenha, em nenhum
momento, procurado esclarecer a população com números, nem que fossem
meras estimativas e projeções, sobre a performance de Pasadena!
Francamente, eu acho que isso foi mais que incompetência na área de
comunicação. Graça Foster agiu com maldade! A gente queria apenas
informação! Ela não deu nem uma migalha! E até hoje, nada! Deu alguns
números para senadores da oposição e não deu à sociedade. E agora vaza
documentos para a Globo… Ou seja, mais uma vez, a Petrobrás alimentando
seus próprios inimigos e prejudicando aqueles que a defendem.
É incrível, de qualquer forma, o poder do blog da Petrobrás. Ainda
está feio, com fontes pequenas que mal dão para ler, sem graça, os posts
são tímidos, com pouca informação, mas apenas o fato de responder à
imprensa já ajuda a esfriar a crise. E ainda permite à
estatal economizar alguns milhões, já que publicar no blog é uma
operação gratuita, ao contrário da publicação em jornal, revista e tv.
Só que a Petrobrás deveria melhorar ainda muito o desempenho do blog,
e fazer anúncios em jornais, revistas e TV para que as pessoas acessem o
seu conteúdo. Tipo assim: “saiba a verdade sobre a Petrobrás. Cuidado
com o que você lê na imprensa porque há uma disputa política em jogo.
Leia o blog.” A quantidade de curtidas nos posts nos permitem ver que a
Petrobrás continua perdendo, feio, a disputa da opinião pública. Isso
dói no coração, porque se nós, blogueiros sujos e duros, conseguimos
fazer cócegas nos pés do império midiático, a ponto de sermos xingados a
toda hora em seus editoriais, a Petrobrás teria condições de dar um
murro direto na cara deles. Seria lindo de se ver!
A Petrobrás tem agido apenas na defensiva, como se fosse fraca, como se tivesse medo.
Qual o grande feito da gestão tucana na Petrobrás? Vender quase
metade da companhia para acionistas de Nova York, destruir a indústria
naval e afundar a maior plataforma do mundo? Quais os feitos da gestão
petista? Levantar a Petrobrás, encontrar as maiores reservas da nossa
história, iniciar a construção de refinarias gigantes, reerguer a
indústria naval!
E, com tudo isso, a imprensa tem sucesso em vender à opinião pública a ideia de que o PT está “destruindo” a Petrobrás?
Como assim?
Uma leitora me lembrou ainda que não podemos esquecer que a Petrobrás
foi espionada pela NSA. A gente não sabe a que documentos os americanos
tiveram acesso, e quais deles eventualmente poderiam ser repassados
para a oposição e para o Globo. Acho que, a esta altura dos
conhecimentos que temos da história do Brasil e da Globo, ninguém nos
chamará de loucos se suspeitarmos que a Globo é antes aliada dos EUA do
que do Brasil.
Hoje o Globo volta à carga contra a Petrobrás em matéria na qual diz
que “estatal sabia de problemas em Pasadena antes de comprá-la”.
Aí você vai ler a matéria. É evidente que uma auditoria séria vai
encontrar problemas. Só que o Globo está destacando apenas problemas
pontuais e antigos. E não dá destaque nenhum às qualidades. Na própria
matéria de hoe, que fala de documento assinado por Alberto Feilhaber,
ex-funcionário da Petrobrás contratado pela estatal para vistoriar
Pasadena, há o seguinte trecho:
Feilhaber, no entanto, que chegou a exercer cargos de supervisor e
chefe de setor na Petrobras, deu boas informações à empresa brasileira
sobre Pasadena. Antes de a Petrobras decidir pela compra, os técnicos
escreveram, em auditoria, que “segundo o CEO (Feilhaber), em termos de
mecânica a refinaria está ‘pretty good’ (muito boa), faltando,
entretanto, mais instrumentação e controle.”
Ou seja, a mecânica da refinaria era “pretty good”! Muito boa! Ora,
se a Petrobrás tivesse vazado esse relatório para o Cafezinho, em vez de
para a imprensa inimiga, as manchetes que poderíamos formular, muito
mais bombásticas e muito mais verdadeiras seriam:
“Pasadena faturou R$ 5 bilhões em 8 meses em 2010″.
“Auditoria feita antes da compra informou que mecânica de Pasadena era ‘muito boa’ ”
Eu sou um analista atento a detalhes. O Globo online costuma ser mais
sensacionalista que o Globo impresso. O título da matéria no impresso
fala em “problemas”. No Online fala em “graves problemas”.
A fragilidade da imprensa é que ela não está preocupada com a
verdade. Quer detonar Pasadena de qualquer jeito, mesmo que a refinaria
se revele um ativo importante.
Agora, voltemos às críticas ao blog da Petrobrás. Ele
publicou um post
com 10 perguntas e respostas sobre Pasadena. A iniciativa é ótima, e o
post circulou um pouco mais que os outros, embora ainda de maneira
medíocre para um assunto tão quente. Apenas 447 curtidas.
Só que as respostas são insuficientes. E, ao menos uma delas, traz a marca tecnicista e vulgar de Graça Foster.
“
4 – Afinal, a compra foi um bom ou um mau negócio?
Na época da compra, o negócio era muito vantajoso para a
Petrobras, considerando as altas margens de refino vigentes e a
oportunidade de processar o petróleo pesado do campo de Marlim no
exterior e transformá-lo em derivados (produtos de maior valor agregado)
para venda no mercado americano.
Posteriormente, houve diversas alterações no cenário econômico e
do mercado de petróleo, tanto brasileiro quanto mundial. A crise
econômica de 2008 levou à redução do consumo de derivados e,
consequentemente, à queda das margens de refino. Além disso, houve a
descoberta do pré-sal, anunciada em 2007. Assim, o negócio originalmente
concebido transformou-se em um empreendimento de baixo retorno sobre o
capital investido.”
Baixo retorno sobre o capital investido? Com todo o respeito, é a
resposta mais idiota que já vi na vida. Ninguém compra uma refinaria
pensando em “alto retorno” no dia seguinte. Refinaria é indústria de
base e deve-se diluir o investimento ao longo de ao menos 50 anos de
operação. Um especulador talvez invista numa refinaria pensando em alto
retorno. Uma estatal como a Petrobrás compra uma refinaria pensando em
aumentar a segurança energética do Brasil e aumentar o capital
tecnológico da empresa.
Do momento da compra para 2008 ou 2009, houve mudança de cenário,
sim. Mas para melhor! O Brasil descobriu o pré-sal! Graça Foster está
conseguindo a proeza inacreditável de transformar a descoberta de umas
maiores reservas de petróleo do mundo num fato negativo que converteu
Pasadena em “mau negócio”!
Por acaso, alguma refinaria em construção da Petrobrás oferece algum
“retorno”, baixo ou alto? Não. Abreu Lima, Comperj, processam uma gota
de petróleo? Não. Pasadena processa 100 mil barris por dia. Então, por
favor, revejam seu linguajar ao falar de Pasadena.
Quando um país constrói uma usina nuclear, ou levanta uma
hidrelétrica, o que pensa em primeiro lugar: se é um investimento de
alto ou baixo retorno contábil, ou se vai aumentar a segurança
energética de sua economia?
A Petrobrás está construindo grandes refinarias no país, mas nenhuma
ainda está pronta. As importações de derivados de petróleo correspondem a
20% de nossas importações, e tem sido as grandes responsáveis pela
queda no superávit da nossa balança comercial. O Brasil ainda depende de
gasolina importada. Com Pasadena, o processamento de petróleo da
Petrobrás no exterior dobrou de tamanho. Como assim aumentar a
segurança energética do Brasil não é um bom negócio?
A expressão “baixo retorno do capital investido” não faz sentido em
se tratando de uma refinaria que, segundo a própria Foster, lucrou quase
US$ 60 milhões no primeiro bimestre. Mesmo considerando apenas tecnica
ou contabilmente, é uma bobagem, portanto, falar em “baixo retorno”.
Quer alto retorno? Invista em “telefree”, “bitcoin” ou qualquer modinha
da internet. Do ponto-de-vista estratégico é uma afirmação idiota.
Politicamente, é a afirmação de um suicida louco.
Se a presidência de qualquer grande empresa jamais pode deixar de ser
política, por razões econômicas e estratégicas, a gestão da Petrobrás
tem responsabilidades ainda mais que políticas. Tem responsabilidades
geopolíticas, ligadas à soberania do Brasil e da América Latina.
Esquecer isso, em nome de um tecnicismo vulgar, é trair os ideais que
nortearam a criação da Petrobrás.
Fonte: Blog O Cafezinho