segunda-feira, 23 de agosto de 2010


Oposição Corre o risco de ser alijada do centro e ficar encurralada na direita


O futuro da oposição está próximo de uma tragédia com o avanço da candidatura de Dilma Rousseff (PT) a presidente. Também contribui para esse cenário o apetite de Lula por aumentar a bancada governista no Senado e reconquistar eleitores perdidos em São Paulo.

O PSDB e o Democratas, principais partidos anti-PT, correm o risco de serem alijados do centro e ficarem encurralados apenas no canto direito do espectro político.

Basta somar a chance de Dilma vencer no primeiro turno com as disputas estaduais para enxergar um desfecho plúmbeo a tucanos e democratas em 3 de outubro.

No caso do PSDB, o partido não está apenas prestes a perder nova chance de governar o Brasil, mas também de ficar sem dois dos mais emblemáticos Estados nos quais manda hoje: Rio Grande do Sul e Minas Gerais.

Se as pesquisas se confirmarem, o PSDB passará a ter como homem forte Geraldo Alckmin -favorito ao governo de São Paulo, mas rejeitado para ser presidente em 2006. Alckmin é hoje o representante principal das forças conservadoras no tucanato. É a direita da oposição.

Em Minas, mesmo se eleito, Aécio Neves vai virar um náufrago tucano no Senado se não conseguir eleger Antonio Anastasia ao governo.

No Rio Grande do Sul, Yeda Crusius sobreviveu à possibilidade de impeachment em 2009, mas aparece num constrangedor terceiro lugar ao tentar a reeleição.

Já Serra, se perder, terá sua segunda derrota numa corrida presidencial. Às vezes em política um fracasso pode representar forças para o futuro, como no caso de Lula.

Mas, para Serra, há perspectiva do inverso: ele pode ter neste ano menos votos do que na sua primeira tentativa, quando perdeu para o PT no segundo turno em 2002.

O Democratas, principal aliado tucano, segue os mesmos passos. Hoje, seus trunfos são possíveis vitórias aos governos de Santa Catarina e Rio Grande do Norte. Juntos, os dois Estados têm meros 5% do eleitorado nacional.

A sobrevivência da oposição num eventual governo Dilma dependerá de tucanos e de democratas terem capacidade para ampliar o público disposto a ouvi-los.

Com Alckmin, as chances podem ser razoáveis em São Paulo. Mas no restante do Brasil, PSDB e DEM terão de se reinventar. A percepção de que predomina um paulicentrismo conservador nas forças anti-PT só piora as coisas para quem deseja algum dia tirar os petistas do Planalto.Fernando Rodrigues - Folha

Amigos do Presidente

quinta-feira, 19 de agosto de 2010


Iberê anuncia aluguel de hospitais em Natal para desafogar Walfredo Gurgel

Governador disse que, com contratações, capacidade da rede estadual de saúde deve aumentar em 100 leitos e 41 UTIs.

Por Túlio Duarte

Foto: Elpídio Júnior



Após ter anunciado a construção de um novo hospital em seis meses, o governador Iberê Ferreira de Souza (PSB), candidato à reeleição, reconheceu a impossibilidade de construir o equipamento ainda este ano. No entanto, Iberê assegurou nesta quinta-feira (19) que está concluindo as negociações para alugar dois hospitais em Natal e, com isso, desafogar o Hospital Walfredo Gurgel.

“Para resolver o problema de forma imediata, nós estamos alugando um novo hospital, em Natal, para transferir 100 leitos e uma UTI [Unidade de Terapia Intensiva] […]. Estamos também alugando um hospital pequeno com mais 40 leitos só de UTI”, anunciou o governador, durante entrevista ao Jornal 96 (96 FM), apresentado pelo jornalista Diógenes Dantas.

Questionado quanto à localização dos novos hospitais, o governador disse que está concluindo as negociações e, por isso, preferia não adiantar detalhes. Porém, Iberê garantiu que os prédios se localizam na capital do Rio Grande do Norte.

O governador ressaltou que a atual situação do Walfredo Gurgel se deve à falta de investimentos nos municípios, ou seja, à precariedade na atenção básica, nos postos de saúde.

“O Walfredo é um hospital para atender ao pronto socorro, mas o que você encontra lá? Você encontra crianças com falta de ar e até gente com unha encravada. Por que isso acontece? Porque sabe que se chegar em um posto aqui em Natal não vai encontrar um médico”, destacou o governador.

No entanto, o chefe de Estado fez a ressalva de que a culpa não é apenas dos municípios. “Os recursos do SUS [Sistema Único de Saúde] são pequenos. Isso precisa ser atualizado”, explicou, defendendo, em seguida, a construção de um grande pacto pela saúde.

Legalmente, os municípios são responsáveis pela atenção básica e o Estado pelo atendimento de média e alta complexidades. “Muitas vezes, as prefeituras não cumprem sua parte e a demanda vem para o Estado. [Por isso, vou] fazer um pacto com os municípios, ajudá-los a colocar em funcionamento suas UPAs [Unidades de Pronto Atendimento], seus postos de saúde”, prometeu o candidato.
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